D’ALE avalia início de temporada do Inter
Depois de completar 350 jogos com a camisa do Internacional, no último sábado contra o São Paulo-RG, Andrés D’Alessandro mantém-se focado na sequência colorada no Campeonato Gaúcho. O meia argentino está à disposição do técnico Antônio Carlos para enfrentar o Ypiranga, nesta quarta-feira, a partir das 19h30 em Erechim.
Aos 35 anos, D’Ale soma 10 jogos no ano de 2017, com dois gols marcados. Em entrevista coletiva após o treinamento desta segunda-feira, ele avaliou o começo de temporada e o retorno ao clube, a nova função dentro de campo, projetou o confronto no Colosso da Lagoa, que também vale a taça da Recopa Gaúcha, e por fim comentou a observação e o estudo sobre futebol que vem realizando fora das quatro linhas. Confira abaixo:
Momento
– Eu não posso fazer e não faço uma avaliação pessoal pública. Mas eu posso fazer uma avaliação do grupo, do nosso começo nestes três meses, com treinador novo e uma ideia nova de trabalho. Mesmo com tempo curto de trabalho, temos uma sensação de melhoria, que as coisas vêm evoluindo, que muita coisa foi mudada. Nós sentimos uma melhora muito boa. Obviamente, muitas vezes você vê o resultado e isso não reflete essa melhoria. Mas nós temos que analisar os nossos jogos. Acho que estamos no caminho certo.
Jogo contra o Ypiranga
– Importante foi a vitória do sábado para sair da posição que a gente estava, fora da zona de classificação. Nós estamos dentro do G-8 hoje. Vamos jogar contra uma equipe forte, uma equipe que em casa sabe jogar bem, que ganhou do líder no último jogo, de virada. O campo é muito grande, a gente conhece. A gente fez vários jogos lá. O campo é grande, a grama pesada, mas temos que ir para ganhar. Estamos nos preparando para fazer um grande jogo, sabemos que a torcida vai nos acompanhar, vai lotar o estádio. Sabemos que vai ser difícil. Temos mais uma taça para ganhar, que é a Recopa Gaúcha. Não é um título de grande expressão, mas quando tu jogas por taça, sempre vale. Estamos preparados para um Ypiranga muito forte, mas a gente vai forte também e vamos tentar a vitória.
Posicionamento em campo
– Estou jogando em uma posição diferente nos últimos jogos, uma posição onde eu jogava no infantil do River Plate, quando não existia o meia. Eu jogava pela esquerda, depois começou a existir o meia, aquele articulador, o enganche. O futebol vai evoluindo e pra mim isso é uma evolução pessoal, porque é uma posição ofensiva, mas também defensiva. É mais defensiva que a do meia e isso me obriga a correr mais e a me doar um pouco mais. Estou à disposição do treinador e se precisar eu vou fazer essa função sem nenhum problema.
Preparação para nova função
– Eu sou um cara que assiste muito futebol, que analisa muito o futebol hoje em dia. Não o meu jogo, analiso os outros jogos. Gosto de ver, gosto de analisar, gosto de seguir muitos jogadores. Sou um cara apaixonado pelo futebol, então assisto. Meus amigos brincam que, quando a gente vai crescendo e ficando mais velho, vai recuando. Tem que estar preparado, eu não esperava, mas tem que estar preparado. É evolução individual para mim, porque é uma posição onde tem que defender mais, fechar um espaço, tem que ficar junto do volante, do nosso primeiro volante. Não pode ficar desligado ou ficar na frente, porque tu prejudicas teus companheiros. Tem que fechar espaço. Eu tomo isso como mais um acréscimo na minha carreira, no meu momento no clube agora. Volto a repetir, se o treinador precisar de mim eu vou fazer. De repente, em algum momento o rendimento não vai ser o melhor, mas não vai faltar esforço.
Trabalho físico especial
– Eu faço um trabalho, comecei no ano passado com o preparador do River. Eu estava voltando para o futebol argentino, que é muito mais físico, muito mais forte do que a gente estava acostumado. Uma coisa é assistir o jogo, outra coisa é jogar. Depois de 13 anos, quando voltei para a Argentina, foi muito diferente, então tive que me preparar de uma maneira diferente. À medida que passa o tempo, a gente vai cuidando o corpo de maneira diferente. Tem que ser muito mais profissional que antes, tem que cuidar com a comida. De repente tem coisas que lá na frente podem ser muito positivas para jogar mais um ou dois anos. Tem vários exemplos no futebol brasileiro com 38, 39 anos, fora os goleiros. Tem muitos jogadores ai que são exemplos.
Patamar do Inter hoje
– Hoje no futebol ninguém mais ganha com a camisa e com o nome. No papel, pode ter um time muito qualificado, mas não existe mais isso aí, não tem bobo no futebol hoje. Se o Inter achar que vai entrar na Série B e vai ganhar os jogos ao natural, está errado. Se a gente pensar isso, vamos começar mal o nosso trabalho no Brasileirão. É uma competição muito difícil, quem jogou sabe que é muito competitiva, é forte. Fisicamente, talvez se jogue mais forte que na Série A. Tem o calendário com viagens longas e cansativas. Muda muita coisa, a gente não pode achar que vai ser fácil. Os adversários precisam saber que vão jogar contra o Inter e na nossa casa temos que ser fortes, junto com a torcida. Temos que fazer uma campanha de quase 100% dentro de casa. Nós temos que ter essa mentalidade, depois fora começar a tirar pontos dos adversários para completar essa campanha. Mas a campanha tem que ser dentro da nossa casa, com o torcedor. Se fizermos 80% ou 90% de aproveitamento nos jogos em casa, vamos brigar lá em cima.
Renovação de contrato
– Sinceramente, a partir da minha volta ao clube este ano, eu e meu empresário não fizemos questão de renovar o contrato. No futebol tu passas por várias fases. No meu caso, muita gente fala sobre grana, que o D’Ale ganha isso, cobra aquilo, e que mandaram embora dois ou três atletas para pagar o contrato do D’Ale. Então eu fiz questão de não renovar o contrato e disse para que o pessoal fique tranquilo. Se eu tiver que renovar o contrato, eu vou renovar. Se o clube quiser, eu vou ficar. Mas eu não voltei pela grana nem pelo contrato, voltei pelo carinho que tenho pelo clube e para ajudar em um momento difícil. O que a gente menos queria era renovar o contrato agora. Acho que seria até injusto no momento do clube chegar e, no primeiro dia, sair na mídia que o D’Ale renovou o contrato. Eu não teria gostado, porque gera diversas opiniões e eu não queria isso. Eu queria só que se falasse da minha volta para ajudar em um momento difícil no clube. Se tiver que renovar mais lá na frente, o pessoal que comanda o clube sabe o carinho que tenho e o que eu penso para o meu futuro.
Curso de técnico
– Aproveitei o ano passado na Argentina para fazer o curso de treinador, que são dois anos. Fiz o primeiro ano e estou fazendo o segundo à distância, online. Acho bom continuar se preparando, aprendendo coisas. Claro que a vivência no vestiário te ensina muita coisa, mas é bom pegar os livros e aprender alguma coisa que, de repente, o campo e o vestiário não te dão. Aí acho que se aprendem coisas que são importantes para o futuro.
Livros sobre futebol
– Leio os textos que os professores me mandam, são umas 30 páginas para estudar. Li o livro do Guardiola, do Bielsa, desses caras que entendem. Temos que aprender com eles, que são os espertos na matéria. Temos que aprender novas maneiras de enxergar futebol.
Encerramento da carreira
– Não parei para pensar. A gente pode imaginar alguma coisa. Eu sou apaixonado pelo futebol, meu pai e minha mãe fizeram de tudo para que eu fosse atleta. Nunca deixaram faltar nada. A gente não tinha tudo, mas eles sempre trabalharam para que eu tivesse uma bola e a minha chuteira para ir jogar. Eu posso imaginar que vai ser um golpe bem forte. A gente se prepara e o atleta tem uma vida útil. Tu tens que te preparar nos últimos anos pensando no que tu vai fazer no futuro. E é isso que eu estou fazendo. Acredito que esse encerramento da minha carreira será um golpe muito forte. Todos passam por isso, mas cada um tem um fogo interno. O futebol representa tudo para mim. Eu consegui dar uma tranquilidade econômica para minha família impressionante. O meu maior orgulho é esse. Claro que temos títulos, amizades e conquistas no futebol. Mas o que eu consegui dar para a minha família não tem preço.
